quinta-feira, novembro 11, 2004

" É tudo a mil, é pr´acabar! "

Hoje comprei o jornal, como faço diariamente.
Apenas não o adquiri no local do costume.
Graças a isso, reparei num álbum do "Blake & Mortimer" exposto.
Perguntei a que se devia o seu estar ali e responderam-me que passou a ser distríbuido, desde o passado domingo, através mais uma publicação.
Pasmei ao saber qual.
"O Record" !!! ...
Que raio?!
Que Target é este?
O que terá a bota a ver com a perdigota?
...
Recordo-me que, pelo Corto Maltese e pelo Tintim, já nada há a fazer.
Emigraram há meses da livraria para a banca, graças ao "Público".
Mas resta ainda um enorme espólio para devassar a 4 euros!
Ocorrem -me sugestões de eventuais casamentos perfeitos:
Maria / Asterix
O Crime / Mafalda
Jornal de Letras / Spirou
Maxmen / Anita
Expresso / Michell Vailant
Lux Woman / Zorro
and so on!...
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A oferta de banca é vastíssima e nunca houve tanta cultura á mão de semear. O sortido é infindável: dvd´s, livros, enciclopédias, discos, cachecóis, luvas pochetes, faqueiros, cremes... até a Biblia.
Aparentemente, já nada é sagrado.
Ou especial.
...
Há não muito tempo atrás, o esforço/ sacrifício que se dispendia na obtenção dum objecto ajudava a estreitar/ vincar a relação com ele.
Eram as nossas coisas! Mais do que "sairem do bolso", custavam a alcançar, ofereçiam uma espécie de resistência saudável.
Uma vez nossas, adquiriam contornos de vitória pessoal e por isso se tornavam únicas. E nós também...
Actualmente, já não!
O acto de conquistar algo (ou alguém) caiu em desuso.
O ritmo e a imediatez de oferta desenfreada não permite encaixes emocionais. Só prazeres imediatos e fugazes, a troco de uma nota.
De tanta a oferenda, e de tão barata, acaba-se por ter tudo sem reter nada.
É a massificação a gerar a banalidade. E o vazio.
Tudo é relativo, escudado em patamares débeis de exigência e aliado uma crescente desresponsabilização de bens e pessoas.
Pessoalmente, não sofro excesso de zelo, mas subscrevo na íntegra a raposa da fábula quando afirma que "cada um é responsável por aquilo que cativa".
O desprendimento não é, nem nunca foi uma virtude, por mais que teimem em convençer-nos do contrário!
...
Hoje vi parte do meu espólio de infância ser oferecido por aí, sem rei nem roque. Sem critério.
Tudo para deleite do consumismo barato e de coleccionistas de troféus.
Extrapolando a coisa, não admira, pois, que os "attachmnets" afectivos andem á deriva pelas "tascas" da amargura.
Ou pelos quiosques! ...

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