quarta-feira, novembro 30, 2005

BRUTAL



Dizem os próprios que "não serve para nada, não inventa nada (os catalões Fura del Baus trilham caminhos semelhantes, bem como os La Guardia,de onde deriva esta Fuerza argentina), que o espectáculo "simplesmente ... é".
Enganam-se. Serve para tudo.
Para destilar emoções puras, para levar a adrenalina ao rubro, para dancar, olhar para o tecto ou ficar estático, perdido em contemplações.

São diversos estímulos sucessivos a mexerem, ininterruptamente, com o primário das emoções. E de um estágio passa-se ao outro, quase sem dar por isso, o que é louvável.
A música (antes/durante/depois) é soberba, convertendo a Toyota Box, em Alcântra, para surpresa geral, na melhor discoteca/rave/club de que há memória nos últimos tempos.
"Fuerzabruta" é o melhor espectáculo deste ano.
Um primor de sensações...como apeteçe que seja o ano inteiro.

terça-feira, novembro 29, 2005

When doves cry



Com a passarada engripada, eis a altura ideal para resgatar um dos (raros) bons discos de 2005.
Com o ano quase a findar, os "pombinhos" têm presença assegurada na infalível listagem de balanço.
"Black and white town" é o tema perfeito para estes dias nem pretos nem brancos, mas frios e chuvosos.
Drums, please...!

Psycho chicken



"I can't seem to face up to the facts
I'm tense and nervous and I can't relax
This Colonel Sanders job is gettin' me down
A crazy chicken chasing me all over town
.
Psycho Chicken--what the fuck?
Bwak bwak bwak bwaaak bwak bwak bwak bwak bwaaak bwak
Better run run run run run run run away
.
I don't know just what to do
He's got a grudge against Frank Perdue
He's clucking a lot, but he's not saying anything
I plucked him once--why pluck him again?
.
Psycho chicken--what the fuck?
Bwak bwak bwak bwaaak bwak bwak bwak bwak bwaaak bwak
Better run run run run run run run away
.
Colonel Sanders wants to cook his goose
but Psycho Chicken's still on the loose
("Hmm, a little chickie--" BWAAK!! "OHH!!")
.
They caught him down in Ohio
They cut off his head and they put him in the oven
They put him in a box right next to a roll
Put some coleslaw around his legs and someone took him home
Ate him for lunch and he tasted real fine ("BURP!")
but the guy who ate him, he just lost his mind!
.
Psycho Chicken ("Qu'est-ce que?")
Bwak bwak bwak bwaaak bwak bwak bwak bwak bwaaak bwak
.
Psycho Chicken ("What the fuck?")
Bwak bwak bwak bwaaak bwak bwak bwak bwak bwaaak bwak
.
("Ooh, it's all covered in feathers!")


(Original dos Fools, popularizada pelos Talking heads)

Bird(s) of prey



Os veterinários municipais vão dispor, daqui a uma semana, de uma "carta de princípios" para harmonizar os procedimentos e normas de bio-segurança, face à ameaça de uma epidemia de gripe das aves.
Ontem, a Roménia anunciou ter identificado o vírus H5N1 num peru numa a aldeia do interior. Entretanto, um pato foi identificado também em Itália, um papagaio morreu no Reino Unido e doze cisnes Croatas faleceram num lago. Enquanto isso, as autoridades chinesas continuam a ser acusadas de esconder o número verdadeiro de mortes de seres humanos devido á gripe aviária. Suspeita-se que sejam mais de 300.

segunda-feira, novembro 28, 2005

(Not) my generation



É nova, chama-se W e está envolta numa incógnita:
que geração é esta que se está a formar?
Que jovens são estes que parecem já nascer com tecnologia incorporada?
Como irão eles inventar, preencher e autonamizar o seu tempo?
Em que valores se reconhecerão e o que deixarão de legado?
Afinal de contas, quem é (e o que é) esta geração W?
Não existe ainda uma definição exata mas pode avançar-se já um perfil:
são jovens que vivem num universo mediático em permanente evolução, onde os Media e as telecomunicações ocupam um lugar de destaque. Substituiram a cartilha pela Internet, são dependentes de telemóveis e trocaram o cinema pelos jogos electrónicos. São consumistas descontrolados com uma relativa noção da distância.
Comunicam por MSN, SMS e 3G, trocam olhares por câmeras e quando riem, fazem LOL. Expressam outras emoções com Smilleys e quando ficam entediados, porque não fazem fretes, desconectam-se.
São uma geração conectada, é um facto, mas tal não significa que comuniquem melhor. Deveriam estar mais apetrechados, mas não estão.
Quem ganha terreno é a virtualidade e quem fica encalacrada é toda uma geração que ameaça ser ainda mais imprevisível e assustadora que a anterior, uma tal de geração X.

The wall (II)

"We don't need no education
We don't need no thought control..."


"...confortably numb".

The wall

O subtítulo desta obra é "o currículo oculto da escolariade obrigatória". A sinóse resume-o na perfeição: é um livro que "questiona ferozmente o ensino, quando este tem por base um conceito de educação que mais não faz do que ensinar os jovens a conformarem-se com a ordem social e economica. Revela, de uma forma avassaladora, a chocante realidade dos sistemas escolares actuais".
Para quem tem filhos, para quem já foi estudante e para quem ainda se inquieta com o estado geral da educação.
Obrigatório.

quarta-feira, novembro 23, 2005

Ultra violence





Que a BD actual é bem mais violenta que há uns anos, não é novidade.
Que essa violência excede, mês após mês, os seus limites, também é um facto.
Páginas como estas seriam impensáveis até há bem pouco tempo.
Well, not anymore.
O desgraçado do Lobenzo, como o seu infalível poder de cura, parece ser o tubo de ensaio ideal para as mais macabras exprimentações.
Depois de ter sido mutilado de todas as formas e feitios, depois de há uns meses lhe terem esmagado o semblante debaixo de um rolo compressor (levando os leitores a seguirem durante dois meses as aventuras de um crânio com pernas), agora nem mesmo essas lhe valhem. Confrontado mais uma vez com o incrível Hulk, num rasgo de originalidade, é literalmente... partido ao meio.
Surpreendentemente (ou não), o rapaz Logan lá sobrevive.

Resta agora saber como é que sairá desta ou, melhor, qual das metades se porá de pé, sendo que, se crescem as duas, ainda temos por aí dois Wolverines,o que, para a chacina criativa, seria, convenhamos, perfeito.

Magic the gathering



Muito antes do Daniel Radclif aparecer, já existia no imaginário de quem lê BD um rapaz franzino e de óculos chamado Timothy Hunter.
Muito antes da senhora Rowllins ter descoberto a escrita, já os "Books of Magic" narravam a saga de um jovem aprendiz de feitiçeiro.
As parecenças são óbvias, e não só na fisionomia dos protagonistas: ambos os autores são ingleses e o cenário de base da narrativa é idêntico.
Contúdo, tristemente, pouca gente conheçe o miúdo da DC ao passo que todos sabem quem é o Harry Potter.
É o despudor da criação via plágio e o habitual equívoco na atribuição dos louros.

Infelizmente, é prática comum nos tempos que correm.

The perfect storm (after the quiet)



Ante- estreia hoje o novo filme (o quarto) da saga da criança de Hogwarts.
A partir de sexta-feira, será impossível passar ao lado da histeria mediática e do frenesim da criançada.
Nos States, "Harry Potter & the goblet of fire" estreou dia 18 e, três dias depois, perfazia já 102 milhões de dólares de bilheteira, estabelecendo um novo record de bilheteira.

Mais negro, mais adulto (pela primeira vez, os miúdos com menos de 12 anos não entram sozinhos) e mais violento, o fenómeno infanto-juvenil mais importante dos últimos anos mereçe uma nova espreitadela.



Sempre estranhei o facto de, na idade do audiovisual, um fenómeno desta ordem ter tido origem em livros. E ainda por cima sem bonecos, o que me baralhava realmente as ideias. É certo e sabido que os miúdos não lêem, sobretudo calhamaços de caractéres.
O fenómeno funcionou, segundo percebi, graças a um gigantesco "word of mouth", um gigantesco boca-a-boca a nível mundial.

Omitindo os previsíveis jogos de vídeo e o habitual merchandising, o hype da prosa teve continuidade imediata no grande ecrã e potênciou a coisa a níveis nunca vistos.
Entrei sorrateiramente no fenómeno via cinema, desconfiado.
Não gostei dos dois primeiros filmes (a batalha do xadrez gigante e das aranhas parecem sequências de puro terror).

Ao terceiro, acabei por me render, mesmo com tanto flashback e flashforward. Uma piscadela de olho a outros targets, mas impossíveis de captar eficazmente por parte do público-alvo.
Mesmo contendo muito pouco (ou mesmo nada) de original, o mérito de Harry Potter é justamente esse: o de, habilmente, baralhar e dar de novo.
A minha resistência inicia advém disso mesmo, do sentir que já havia visto aquilo e por me cheirar tambem a pastiche, ou pior, engodo. E, não haja dúvidas, está lá tudo: o carocha Herbie, o mundo da feitiçaria, a saga de Oliver Twist, o cubo mágico do Hellraiser, etc. Em termos de informação, trata-se de uma obra riquíssima, embora sendo de criação dúvidosa.

E, quanto á violência inicial que me espantou, percebo que hoje ela nada tenha em comum com a da minha adolescência (a Abelha Maia, ao que saiba, não era amiga do Pokémon e as emissões de TV encerravam ás 21h com o Vitinho, quando hoje tem ínicio ás 7h com o Dragon Ball. E ainda diziam violento o Conan e a sua saga na Industria...)
Hoje-em-dia, penso assim mas um miúdo de 10 anos, em 2000, não.
E se em apenas duas horas se consegue que uma criança tenha acesso a todo o meu imaginário - construido ao longo de 30 anos e condensado aqui em 120 mns, isto quer dizer que ela vai obrigatoriamente sonhar mais alto que eu, que o seu patamar de exigência será mais elevado e que o sua criatividade conhecerá muito poucos limites.
Este é um feito gigantesco.
Por isto, e só por isto, há que reconhecer o mérito e tirar o chapéu a Harry Potter.

Narnia


Porque este Natal não há "Lord of the rings".

domingo, novembro 20, 2005

Hey, mr DJ

Lisboa, 03h50.
E se alguém o tentar subornar para que toque (outra vez) Madonna... isso é "Hung up"!

sexta-feira, novembro 18, 2005

A kind of magic


Para combater as tardes de chuva deste fim-de-semana.

Weekend Chart- Attack

Madonna - "I love New York"
Pharrel Williams - "Angel"
LCD Soundsystem - "Tribulations (remix)"
Gorillaz - "Dirty Harry"
Royksopp - "What else is there (remix)"
Soulwax - "Krack (remix)"
Jackson & his Computer band - "Rock on"
Death Cab for Cutie - "Soul meets body"
ColdPlay Vs Kraftwerk - "Computer love talk"
Le Tigre - "After dark"

Last night a DJ saved my life


Ontem, o Dj de serviço esteve á altura da festa de lançamento de uma nova agência de modelos na 24 de Junlho.
Casa cheia, gente gira e pouco habitual por estas bandas e o "Hung up" a disparar a histeria colectiva.
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Mais tarde, um salto até Lux serviu para perceber que o tão anunciado evento da noite "Rhytim & Sound" falhou redondamente, com um arranque de mais de 2 horas de atraso.
As desistências deixaram a pista a 10 por cento.

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Na noite anterior, os Cubo (um novo projecto nacional) registaram um atraso de 1h30 aquando da sua estreia ao vivo no Frágil. Tudo o resto sofreu com isso.
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Hoje á noite, pelas 21h30 (espera-se que a horas), tocam os portugueses Room 74 na primeira festa disco no Pav. Atlântico, seguidos dos recauchutados Boney M e Village People. Pelo meio, os DJ´s de serviço "bombam" disco-sound e carregam um bailarico que deve ir até ás 4h da matina.
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Mas há mais disco esta noite:



Lá para as 2hs, para os lados do Principe Real e sob o mote de "Confessions on the dancefloor", há uma alegre romaria dedicada a Madonna, onde se revisitam êxitos antigos, vídeos da artista e onde se destaca, obviamente, o novo disco.
Pelo meio, há performances, variedades e muita alegria.

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É a febre de sábado á noite ( que alastra á semana inteira).

Freedom



A BD de Allan Moore sobre um mundo totalitário chega aos cinemas.

quinta-feira, novembro 17, 2005

Smoke gets in your eyes



Hoje é o dia mundial do não-fumador.
Calcula-se que entre 20 a 26% da população portuguesa seja viciada em tabaco.
Os cigarros tem mais de quatro mil substâncias nocivas ao organismo e antes dos 65 anos, os fumadores morrem duas vezes mais que os não-fumadores. As informações são assustadoras. Estas e outras.
Segundo a organização mundial de saúde, há cerca de 1,1 biliões de fumadores em todo o mundo, 200 milhões dos quais são mulheres.
Por cá, dentro da população com mais de 18 anos, um terço fuma ou já fumou. Calcula-se o tabaco seja responsável por 30% das mortes por cancro, 20% das mortes por doença coronária e 80% das doenças pulmonares.

Le cock


Body language

Em Agosto de 2002, o britânico Andrew Stimpson, de 25 anos, descobriu que era seropositivo, após uma série de testes.
Catorze meses depois, uma nova série de análises mostrou que o vírus HIV da SIDA desapareceu completamente do seu organismo, apesar de não ter tomado qualquer medicamento.
A notícia foi avançada pelo semanário "News of the World".
Os médicos são categóricos: não houve uma mistura de dossiers ou de amostras, como nos outros dois casos anteriores de "cura espontânea", onde foi impossível provar que os testes positivos e negativos provinham da mesma pessoa. Actualmente, Andrew, que abandonou qualquer contacto sexual com o seu companheiro, Juan Gomez, de 44 anos, também ele infectado, aceitou tornar-se alvo de estudos para ajudar os investigadores a encontrar um meio de lutar contra o vírus da SIDA.
"Lembro-me que depois da segunda série de testes, o meu médico entrou no quarto e disse: "Estás curado, é incrível. És fantástico". É espantoso pensar que um dia estava a olhar para a morte e agora lhe digo adeus".
No mês passado, Stimpson recebeu uma carta do hospital. "Não houve qualquer erro na etiquetagem ou no exame das análises", indicou o hospital, cuja carta foi publicada pelo "News of the World" e pelo "Mail on Sunday", que também noticiou este caso de cura espontânea."O facto de ter passado de um resultado positivo a um resultado negativo é excepcional e assinalável do ponto de vista médico", assinala o texto da carta.








Entretanto, e de acordo com o relatório anual da ONU e OMS, em 2005, cerca de 14.000 pessoas foram infectadas por dia com o vírus da sida, a maioria nos países subdesenvolvidos.
O estudo "Situação da Epidemia da Sida,Dezembro de 2005" revela que 40,3 milhões de pessoas são actualmente portadoras de VIH, com 4,9 milhões de novos infectados em relação a 2004.

quarta-feira, novembro 16, 2005

Burn it up



163 veiculos incendiados e 50 pessoas detidas.
Este é o resultado de mais uma noite de violência urbana em França.
Desde o ínicio dos túmultos, há cerca de vinte noites, já foram queimados cerca de 9 mil carros e detidas perto de 3 mil pessoas.
Ontem á tarde, os deputados franceses aprovaram o prolongamento do estado de emergência que permite o recolher obrigatório por 3 meses.
O texto é examinado hoje pelo senado.

sexta-feira, novembro 11, 2005

Cover me


S. Martinho,

castanhas e vinho.
Hoje comemora-se a tradição e os festejos estendem-se ao fim-de-semana. Come-se castanhas e bebe-se a tradicional água-pé, o resultado da água lançada sobre o bagaço da uva e cuja venda é proibida.
O curioso é que, na lenda de S.Martinho, não há qualquer relação com castanhas, com água-pé ou com vinho. Quando muito, apenas por o dia se comemorar na época do tratamento e prova do vinho novo.
Quanto a Martinho, segundo a lenda era um cavaleiro romano que, num dia de frio e chuva, encontrou um mendigo quase enregelado, que lhe estendia a mão. O cavaleiro cortou ao meio, com a espada, a capa que o cobria e tapou assim o mendigo, preparando-se para seguir viagem quando, subitamente, parou o frio e a chuva e o dia de inverno deu lugar a um autêntico dia de verão. A partir daí, todos os anos, Deus, para que o mundo não esqueça o gesto de S.Martinho, faz parar o frio e a chuva e permite que, em pleno inverno, haja alguns dias de verão.

quinta-feira, novembro 10, 2005

My hometown



Alguém disse, a propósito da idade, que "aos 30, o que apeteçe é voltar a casa".
Cameron Crown já ultrapassou os ultrapassou e talvez por isso a sua relação com a música reflicta isso mesmo. No seu baú de memórias, estão pérolas e raridades legadas pelos anos que o realizador não esqueçeu, fruto da sua expêriencia pessoal e da maturidade que adquiriu no seio do jornalismo musical.
O empreiteiro de "Jerry McGuire", "Almost famous" e "Vanilla sky" utiliza a banda sonora da sua vida para musicalizar os seus próprios filmes, com uma sensibilidade rara e impressionante.
Se é cada vez mais díficil encontrar um filme com uma música certa adequada ao momento, o homem não falha um(a).

Possuidor de um enorme referêncial discográfico e de uma cultura musical admirável, é graças a ele que algumas imagens permanecerão associadas a certos temas e vice-versa. Por exemplo, a cena de abertura de "Vanilla sky" com os Radiohead em fundo, a subida final no elevador com os alemães Freur ou ainda os delírios de Cruise ao som dos Sigur Ross, a viagem de avião de "Almost famous" com o "Tinny dancer" do Elton John, entoado a alto e bom som, e por aí fora.
O novo "Elisabethtown" que hoje estreia nas salas portuguesas, está carregado de mais momentos felizes. E de mais músicas.
Algumas fazem parte das vidas de muitos, mas a grande maioria ilustrou ou marcou mesmo momentos-chave da vida do realizador - ou não fosse este (mais) um filme auto-biográfico.

Em oposição á tenra idade dos protagonistas, a BSO apresenta nomes como os Hollies, Nancy Wilson ou Tom Petty. O tema de Helen Stellar é soberbo (a cena também). Lamentávelmente, muita da música do ecrã não passou ao disco, talvez, quem sabe, á espera de um Vol. II.
"Elisabethtown", o disco, é uma espécie de regresso ao essencial, á simplicidade das canções. Um reencontro com as raízes.
Cameron funciona sempre como uma éspécie de regresso a casa, depois de um desvario que só a maturidade consegue perceber.
É bom ter 30 anos.

Order now


Está cá tudo: vídeos, imagens ao vivo, entrevistas, actuações, etc.
A história de uma das bandas mais influentes na história da pop e da electrónica, para sorver em pormenor e reter ao detalhe.
Um dois-em-um obrigatório.

quarta-feira, novembro 09, 2005

Sacré Français





Foi ontem decretado em França o estado de emergência e o recolher obrigatório nos súburbios, onde a violência urbana entrou no 13. dia consequtivo.
Tudo começou a morte de dois jovens numa operação policial e com as posteriores declarações públicas de Nicolas Sarkozy, ministro do interior, apelidando a população dos súburbios de Paris de "escumalha".
A revolta da mesma irrompeu numa onda crescente de violência e caos imparável e, como se tem vindo a constatar, imparável.
O jornal Le Parisien diz hoje que 73% dos franceses concordam com esta instauração do recolher obrigatório. Para este efeito, o governo de Dominique de Villepin reactivou uma lei que data da guerra da Argélia, em 1955. Os eleitos locais podem decretar o recolher obrigatório nos seus municípios a partir das 00.00 de hoje. Esta medida tem o prazo de 12 dias e caso falhe, o executivo poderá, em última instância, recorrer ao exército para resolver a crise. Esta lei permite, por exemplo, que a polícia realize buscas sempre que existam suspeitas de actividade ilegal, sem necessidade de possse de mandato judicial. Quem violar o recolher obrigatório será automáticamente condenado a dois meses de prisão.
Na Europa, teme-se que este fenómeno encontre eco em países vizinhos.
Na madrugada de terça-feira, e pela segunda noite consecutiva, dois carro foram incendiados num bairro de Bruxelas e pequenos grupos de jovens entraram em confrontos com a polícia. Na véspera, cinco veículos arderam junto à estação ferroviária, no bairro de Saint-Gilles, na capital belga.
Na Alemanha, carros foram incendiados em Bremen e Berlim.
Hoje, de madrugada, arderam dois veívulos na Amadora.
Há quem acredite que a Europa esteja sentada sobre um barril de pólvora.

E que, tal como em França, tudo seja uma questão de tempo.

terça-feira, novembro 08, 2005

Church of the poisoned mind



Como resultado directo da preocupação com a escalada de pedofilia no seio da igreja, o novo Papa aprovou hoje um novo documento no Vaticano onde proíbe terminantemente homens com tendências homosexuais de serem ordenados padres.
O texto, que será publicado em breve, foi preparado pela congregação da união católica em resposta a um pedido feito por Joâo Paulo II em 1994, tendo sido aprovado pelo Papa Benedicto no final de Agosto.
Sumáriamente, o texto em causa diz que os homens homosexuais não devem ser admitidos em seminários (mesmo que sejam celibatários), porque a sua condição deve-se a distúrbios mentais, que os impossibilitam de ministrar a fé.

sexta-feira, novembro 04, 2005

MAD (in Lisbon)


MAMMA MIA ! 47 anos ???

A noite foi de Madonna.
Mas houve outro vencedores nos MTV Awards deste ano:
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Melhor macho
Robbie Williams
Melhor fêmea
Shakira
Melhor grupo
Green Day
Melhor álbum
Green Day - American Idiot

Melhor banda rock
Green Day

Melhor canção
Coldplay - "Speed of Sound"

Melhor banda pop
Gorillaz

Melhor video
The Chemical Brothers - "Believe"
Melhor banda portuguesa
The Gift

quinta-feira, novembro 03, 2005

I want my MTV



Com o pavilhão Atlântico transformado numa Babel mediática, Lisboa é, por um dia, a capital mundial da música.
Os prémios da MTV Europeia, logo á noite, serão apresentado por Sacha Baron Cohen (o comediante Ali G) no papel de Borat Sagdiyev, um jornalista da televisão pública do kazaquistão enviado para investigar todos os aspectos da vida ocidental e, em particular, as glamorosas cerimónias de entrega de prémios.
Para além de alguns aspectos menos bons (nenhuma das bandas portuguesas nomeadas subirá ao palco, pouquíssimos bilhetes á venda, credenciações, convites e passes de imprensa em falta) o hype positivo gerado em torno do evento acaba por compensar os dois anos de esforço e de lobbys no turismo, nas editoras discográficas e nos Media em geral.
Os favoritos deste ano são os Coldplay e os Gorilazz (5 nomeações), depois Gwen Stefanni com 4 e, com 3, os 50 Cent, Green Day, Snoop Dogg, U2 e James Blunt. Estão previstas10 actuações ao vivo e as atenções estão centradas em Madonna (que abre a cerimónia com uma gigantesca bola de espelhos a servir de base ao novo "Hung up") e na prestação dos Gorilazz (pode bem vir a ser deles a actuação da noite, justificada pela parafenália nunca vista de Lasers em palco com o objectivo de dar vida aos bonecos que irão via 3D). On stage, também os Foo fighters, Coldplay, Robbie Williams, Coldsplay e Shakira, entre outros.
Mais que os músicos são os apresentadores. Vem de todos os quadrantes em número de 15. Anastacia, as ninfetas lesbianas T.a.t.u., Simon Webbe (ex-Blue), Craig David, Sugababes, (Alison) Goldfrapp, Nelly Furtado, os actores Jared Letto, Diego Luna,Britany Murphy e até os futebolistasLuis Figo e Nuno Gomes. O lote inclui também 2 Designers da Dolce & Gabanna. .

A partir das 20h, começa a festa, com o público a olhar para o "boneco". Mas o melhor virá depois, com várias After-Partys a decorrerem, quase secretamente, por varios cantos de Lisboa. Há artistas com pavilhões alugados e discotecas reservadas para si e para um séquito limitado de Staff e admiradores. Esta, sim, será a verdadeira festa.
Bem longe das televisões...

terça-feira, novembro 01, 2005

Dream a litle dream


Os actores Ellen Burstyn, Jared Leto e Jennifer Connely (e mesmo até o canastrão Damon Wayman) tornam obrigatório "Requiem for a dream", segundo filme de Darren Waranofsky, o realizador de "PI". Genial e implacável, apresenta-nos, sem moralismos bacocos e a um ritmo/montagem vertiginosa, gente perdida no meio de drogas (quimicas e outras), de adições e vícios.
Tal como o nome indica, "A vida não é um sonho" e nem sempre tem um final feliz.
O Kronos Quartet compõe a música deste "requiem" que, sendo de 9, em nada perdeu para a actualidade.
É sempre gratificante descobrir bons filmes, que a falta de tempo ou outros afazeres na época obrigaram a descurar.
Um filme para reter e ir resgatando, sem reservas.

1755



Portugal, 01 de Novembro. 09h40.
A terra treme três vezes, num total de 17 minutos, calcula-se com magnitude de 8.7 na escala de Ritcher. O epicentro terá sido 200 kms a sudoeste do cabo de S.Vicente, numa zona montanhosa subaquática com 5 kms de altura.
Durante 24 horas, sucedem-se outras réplicas do sismo.
Ficaram destruidos, entre outros, 55 palácios e 50 igrejas e conventos.
A história conta sobretudo o que se passou na capital, mas foi o Algarve a zona mais atingida. Comemorava-se o dia de todos os santos, havia muita gente nas missas e as velas que homenageavam os mortos provocaram ínumeros incêndios, fazendo aumentar as vítimas (uma semana depois, a maior parte dos fogos não estava ainda extinto).
No mar, as ondas chegaram aos 6 metros de altura, havendo no momento bastantes navios atracados no porto. Oeiras e Cascais foram seriamente atingidos mas em Lisboa, o mar entrou pelo Chiado e arrastou embarcações terra adentro (em 1755, o rio chegava ao mosteiro dos Jerónimos).
O balanço saldou-se em quase 200 mil mortos.
A Europa ficou impressionada, Portugal assustou-se e Lisboa ficou destruida e deserta de vivos.
Contúdo, um ano depois, a cidade comecava a pôr-se de pé e as pessoas iniciavam o seu regresso, esquecendo o pânico e as horas de dôr.
Este "milagre" deve-se, em grande parte, a Sebastião José de Carvalho e Melo, no poder desde Agosto de 1750, que reagiu pronta e rapidamente á tragédia, colocando em práctica um plano de reconstrução de Lisboa. Um plano que mereceu o reconhecimento e admiração de futuras gerações, embora Manuel da Maia, de 77 anos na época, tenha sido, de facto, o arquitecto-mor da "gaiola pombalina" resistente aos sismos.
O Marquês popularizou-se por empreender medidas radicais, pouco vulgares para a época, como reprimir brutalmente os ladrões (expulsou-os de Lisboa e instaurando a lei marcial para acbar com as pilhagens e assaltos) e enfrentando a poderosa igreja catolica de então, que teimava em ver a tragédia como um castigo de Deus para remissão dos pecados. Chegou mesmo a ser apelidado do "Maquiavel Português". A história celebrizou-lhe a frase "Cuidar dos vivos e enterrar os mortos", em resposta á desorientada questão colocada pelo rei sobre o que fazer perante a tragédia.
Fruto de uma circunstância trágica, o prestígio do "Marquês de Pombal" acabou por transcender a conjectura do terramoto, tornando-se no único governante monárquico que cujo nome se sobrepôs, no imaginário popular, ao do soberano que serviu (a estátua equestre de D. José, no Terreiro do Passo é bem menos imponente que o monumento leonino da Rotunda).
Déspota, bajulador, visionário ou racionalista, em 2005 o "Marquês de Pombal" continua a ser um dos nomes maiores de referência na cidade.
Hoje, ás 9h30, 250 anos depois, todos os sinos da capital assinalam a data em simultâneo.