terça-feira, janeiro 31, 2006

Fungágá



No passado sábado, numa maratona de quase cinco horas, ao vivo no Pav. Atlântico e em directo na RTP1, a criatura conhecida por "Tio Julião voltou.
E voltou a reclamar", na sua já habitual falta de modéstia, a paternidade de algumas das mais importantes referências do meio artístico dos últimos anos. A saber, António Variações deve a sua carreira ao apresentador, bem como Manuela Moura Guedes, Concha e os Táxi. O Roll é enorme.
Uma festa!
O conceito da coisa resumia-se a resgatar bandas que tocaram ao vivo no programa e a trazê-las de volta 25 anos depois. Parte das receitas da bilheteiras revertiriam para uma instituição de solidariedade, num nobre gesto do anfitrião.
Contúdo, o que se pretendia como uma homenagem acabou por sagrar-se num bárbaro ataque á tumba nostálgica, num confronto com a nossa própria mortalidade e num devassar de memórias públicas fustigadas impiedosamente pela idade.
Á criatura, fico, pois,a dever o imacular de recordações que nunca mais serão as mesmas.
Entre outros mimos, depois de sábado, o meu "Grupo de baile" não mais será o das festas de quintal da época. Cravada na memória, ficará a imagem de um vocalista grunho a berrar "Pintelho! (a palavra censurdada do refrão de "Patcholi").
Interrogo-me ainda se os restantes "Jáfumega" se terão afogado na "Ribeira" depois da confrangedora prestação de Luís Portugal e se John Watts não deveria já, e após tantos anos, ter percebido o real significado de "So long".
(Razão têm os ABBA quando recusam terminantemente um regresso!)
Num claro jogo de equívocos, com um tétrica homenagem a Carlos Paião, a cerimónia de zombies, falsamente anunciada como livre de "Play-backs", animou uma sinistra plateia, repleta de uma fauna digna do mais valente "Picnicão", onde até a respeitosa Margarida Mercês de Melo se rebolou ao som de velhos êxitos.
Artistas houve que foram desenterrados não se sabe bem de onde, caso do ancião que trauteava livremente Beatles num jeito faducho e de uma misteriosa banda, perto da qual os "Porquinhos da Ilda" seriam tidos como realeza.
(Serviu este enigma para perceber que, inocentemente, já papavamos "Zé cabras" em 1981 sem dar por isso!)
Se esta "febre" tivesse ficado por aqui, menos mal.
Mas não. Originou um CD triplo que dias depois já é líder de vendas (quem compra?), reabilitou a criatura do "Passeio dos alegres" como comunicador do novo milénio, a mesma que, pasme-se, terá brevemente um novo espaço televisivo semanal, dado o êxito obtido com este arraial que se traduziu num valente share de audiências (quem viu?).
O Júlio será, pois, o responsável pela descoberta e dinamização de novos talentos nacionais, patente que reclamará a seu devido tempo.
Há poucos dias, o destino político do país resumia-se ás mesmas opções de hà vinte anos.
Um foi-se, ficou o outro.
Musicalmente, eis-nos reféns de novo dinossauro.

Não é um país de velhos.
É o "Fungágá da bicharada"!

Comments:
Belos tempos esses em que os jovens cantavam eses temas pop/rock bons ou maus mas cantava-se em Portugues pois é fundamental para a cultura é isso que nos deferencia dos outros povos agora os jovens saberam que ixiste o Portugues ?

Não me parece pois 90 por cento canta em Ingles
 
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