quinta-feira, maio 25, 2006

The fall of the mutants



Depois do genérico final, fica uma pergunta:
Como é que que a Marvel autorizou isto?
A primeira sensação é de desilusão, a segunda é de tristeza.
Já se temía que, depois da debandada do anterior realizador, a coisa pudesse destranbelhar. Agora a este ponto...
X-Men 3 asemelha-se a um vulgar action movie, um amanhado sem eira nem beira de plots dos Comics e sem o mínimo respeito pela cronologia.
Enquanto os dois primeiros filmes visavam construir um build up narrativo e cimentar a desensidade das personagens, neste terceiro tomo rebenta-se com tudo a 300/hora para fechar a trilogia.
Nem uma das referências intocáveis da BD, a Shakespereana "Dark phoenix saga", escapa á chacina. É espetada a martelo no meio da história dos Morlocks (Claremont) e do lançamento do Wolverine pelo Colossus (o clássico movimento "fast ball special"), da porrada entre a Storm e a Calistto, diluida no meio da ideia da cura dos mutantes (Josh Whesdon) e secundarizada pela brutal destruição da ponte (Grant Morrison). Nada ganha relevo, nem personagens nem situações, e tudo se canibaliza nesta autêntica centrifugadora. Num filme supostamente centrado na Phoenix, é inadmíssivel a omissão de uma única imagem do clássico pássaro em chamas (como se antevia no fecho do segundo filme). De resto, está cá tudo. Até um sentinela decepado (á falta de Budget para mais) e a famosa sala de treinos da equipe, a Danger Room. Fica a ideia de que alguém deve ter dito ao "realizador" qualquer coisa do género: "tens duas horas para dar aos gajos aquilo que eles querem. E dá-lhes o mais que puderes!". E vai daí, toma lá o Leech, o Multiple man, o Juggernaut...
O resultado é uma confusão pegada. Quem não é fiel aos Comics, não percebe nada, tal é a enxurrada de referências continuas ao longo de 2 horas. Quem percebe a cronologia dos livros, não compreende como é que se apresenta um produto destes e qual o objectivo da salgadanhada.
A personagens principais são trucidadas umas atrás das outras, ninguém ganha protagonismo (á excepção da Halle Berry, por exigência contratual da própria) e nem o Anjo, vendido como um dos Gimmicks do filme, chega sequer a levantar vôo.
É penoso ver destruído um franchising desta forma, sem dó nem piedade, em nome da pipoca e do dinheiro fácil, e sem se perceber sequer a que público é que o produto se destina. Por certo, deve ter fallhado os habituais "Screen tests" que antevêem o comportamento do público.
Se a saga dos X-Men no grande ecrã, precisamente aquela que há uns anos possibilitou o arranque das adaptações da BD ao cinema, conclui desta forma, é de lamentar que não o faça com o canto do cisne e que se resuma a esta fénix mal amanhada.
Por mim, fechei a loja no segundo filme e tenciono esqueçer que o terceiro alguma vez existiu.

Comments:
É para esquecer então.
 
Se "desligarmos" do regabofe de efeitos especiais, das limitações da trama e da traição à cronologia, olha que aquilo que ainda sobra é um belíssimo acepipe de cinema para divertir. É entretenimento fácil e cheio de ruído visual, pois é, mas às vezes sabe bem não nos ficarmos pelo "cinema-arte". A mim, que gosto do cinema para pensar que conheces, este objecto menor soube-me que nem ginjas!
 
De tão irritado que estava, nem me consegui distrair sequer. Mas, a avaliar pelo boxx office do fim de semana ( 4.a melhor bilheteira de sempre nos EUA), tenho de concordar contigo e dar a mão á palmatória.
É entretenimento puro. E é eficaz.
 
Fizeste o melhor e mais fiel comentário ao filme que já vi até agora. Concordo com tudo.
Sendo eu fiel aos comics é de facto triste que eles tenha feito um "milk-shake" das grandes sagas. Não há respeito. Saí desolado.
E os momentos da lagriminha no olho como a morte do cyclops, professor X, etc... para quê?
Só não meteram coisas da Civil War porque na altura ainda não tinha saído... ;)
bom... terei de me confortar com a saga do Joss Whedon que tem sido até agora uma boa surpresa.
abraços
 
Muito obrigado pelo teu feedback.
Começava a ficar preocupado por não ter gostado do filme, tal é o êxito da coisa...

Um abraço.
 
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